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Rui Vitória magoado com o Benfica

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O momento negativo do Benfica conheceu o fim em Tondela, depois da importante vitória por 3-1, mas esse resultado e a consequente reação dos benfiquistas presentes no Estádio João Cardoso, que apoiaram a equipa do início ao fim, não apaga o sentimento de mágoa de Rui Vitória em relação às duras críticas de que foi alvo.

O técnico, que, sabe Record, tem a confiança de Luís Filipe Vieira para se manter no cargo, pelo menos até ao final desta época, sente que os adeptos foram injustos, até porque acredita que o grupo se entregou ao máximo e deu tudo em campo durante a série de quatro partidas consecutivas sem vencer – Ajax (0-1), Belenenses (0-2), Moreirense (1-3) e Ajax (1-1).

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Como referiu na conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Tondela, Rui Vitória sentiu-se sempre apoiado pelos jogadores e restantes membros da equipa técnica, mas as críticas e os pedidos de demissão vindos das bancadas não deixaram de magoar o treinador. Aliás, da mesma forma que a equipa é apoiada quando ganha, Rui Vitória esperava um suporte ainda maior por parte do ‘tribunal’ da Luz durante esta fase negativa que a equipa experienciou.

No balneário, as críticas ao treinador também foram recebidas com alguma tristeza pelos jogadores. Grimaldo, recorde-se, abordou mesmo publicamente o assunto, criticando os benfiquistas que assobiaram a equipa depois da derrota caseira aos pés do Moreirense. E já no último jogo, que terminou com um empate (1-1) em casa diante do Ajax, o próprio treinador adjunto do Benfica, Arnaldo Teixeira, dirigiu-se a alguns adeptos sentados atrás do banco, gesticulando como forma de desagradado pelas críticas que dali vinham.

Agora, há a confiança em que esta paragem para os compromissos das seleções nacionais pode servir para revigorar a equipa. Vem aí o Arouca, para a Taça de Portugal, e depois o Bayern Munique, na Champions, e na Luz há a certeza de que a tempestade já lá vai e que o aqui aí vem permite… sonhar.

Como Luís Filipe Vieira deu conta no discurso que fez na Assembleia da República, na homenagem aos campeões europeus do Benfica, a estabilidade tem sido um dos segredos para o sucesso que o clube tem conhecido nos últimos anos, em particular no que diz respeito aos treinadores que por lá têm passado.

E a verdade é que, se tivermos em conta as últimas 10 temporadas, ou seja, a partir de 2009/10, passaram apenas pelo comando técnico dos encarnados dois treinadores: Jorge Jesus (de 2009/10 a 2014/15) e Rui Vitória (desde junho de 2015).

Comparativamente com os outros dois ditos grandes do futebol português, FC Porto e Sporting, a estabilidade tem sido muito maior na Luz. Desde o verão de 2009, passaram pelo banco leonino um total de 16 treinadores – incluindo aqueles que ocuparam o cargo interinamente. Falamos de Paulo Bento, Carlos Carvalhal, Leonel Pontes, Paulo Sérgio, José Couceiro, Ricardo Sá Pinto, Domingos Paciência, Franky Vercauteren, Oceano, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus, José Peseiro, Tiago Fernandes e, por último, Marcel Keizer. No Dragão a situação é ligeiramente diferente, ainda que tenham sido oito os treinadores desde 2009/10: Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca, Luís Castro, Julen Lopetegui, Nuno Espírito Santo e, agora, Sérgio Conceição.

Neste período, refira-se, o Benfica conquistou cinco títulos nacionais, enquanto o FC Porto, apesar das mudanças de treinador, conseguiu quatro.

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